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Sobre o Trabalho Pedagógico voltado a alunos com dificuldade de aprendizagem

Maria Cristina Ribeiro
Rita de Cássia Rizzo
Suely Palmieri Robusti
(Gestoras da Escola NANE)

Para Platão, a finalidade da educação seria a prática do bem que se relaciona diretamente com a sabedoria e a verdade. A educação deveria levar o homem à conquista de objetivos mais elevados. Pois é pela educação que o homem supera suas capacidades e potencialidades e assume uma postura de abertura para o novo, implicando aí o que seria a tarefa suprema da educação, a humanização.

Todo ser humano tem a capacidade de criar e recriar-se numa escala progressiva,partindo de conhecimentos interiores e exteriores, gerando melhores formas de existência humana. Este processo é individual e resulta de esquemas internos que sofrem a interferência de uma série de fatores, como por exemplo: cultura, faixa etária, relações afetivas, história de vida e até mesmo a constituição biopsíquica.

Aprender é uma aptidão humana e, exatamente por isso, não existe um único ser humano incapaz de aprender. Assim, no processo de humanização, o grande desafio é, então, a transformação. Para que a transformação do indivíduo possa ocorrer, é preciso, mais do que ensinar seja qual for o conteúdo, convencê-los de que aprender sempre é possível.

Nem sempre será possível da mesma forma, para todos. Alguns aprenderão lendo um texto, outros analisando uma obra de arte, outros montando um pequeno esquete teatral, outros ainda verificando o lixo produzido e sua reciclagem, mas todos, de alguma forma, serão capazes de apreender os referidos conteúdos e compartilhá-los com o resto do mundo.

Não considerar a dificuldade como fator limitante, mas sim oferecer os conhecimentos acumulados pela humanidade em sua história, com um olhar cuidadoso e atento para o indivíduo que, com sua criatividade e a possibilidade de trocar com outros, poderá, assim, desenvolver recursos para atuar de forma prática na solução de problemas do cotidiano.

A utilização de variados recursos e estratégias, de forma a focar os diferentes tipos de aprendizagens, valorizando-as e nunca, sob qualquer pretexto, eliminando ou desconsiderando qualquer uma delas, contribui para a identificação das competências de cada aluno.

Pequenas dificuldades não podem prejudicar grandes possibilidades. Para isso, se faz necessária uma metodologia que privilegie o uso de procedimentos didáticos, em que o aluno possa observar, criticar, pesquisar, concluir, julgar, relacionar, diferenciar, sintetizar, conceituar e refletir e apresente os conhecimentos acadêmicos em sua pluridade e riqueza, compondo um todo multifacetado, desafiador e dinâmico, marcado pela multiplicidade de idéias, recursos e estratégias.

Assim, as oficinas didáticas, a avaliação formativa e as parcerias entre professores, profissionais e pais têm importância fundamental para o sucesso do trabalho pedagógico voltado a alunos com dificuldade de aprendizagem.

As oficinas didáticas têm o objetivo de organizar grandes módulos conceituais, de forma que cada aluno possa traçar um percurso que lhe permita a aprendizagem, a partir daquilo que lhe é familiar e respeitando seu ritmo de trabalho, sem que, para isso, seja comprometido seu avanço escolar.

Cada uma das oficinas tem um foco de trabalho e cada aluno, a partir de suas possibilidades, será desafiado e orientado de forma a interagir com os conteúdos e, assim, aprender de fato. Quando falamos em oficinas, estamos falando do trabalho de atuação direta do aluno, da possibilidade dele construir um produto seu que, no caso, será parte do conteúdo da área do conhecimento que adota este recurso.

Esse é o cerne do trabalho com oficinas: além de iluminar muitos saberes diferentes, permite que o conhecimento seja tratado com a menor fragmentação possível, o que possibilita aos alunos uma visão integradora do saber, do mundo e de si mesmos.

Essas oficinas caracterizam-se como “lugar onde se faz”, um espaço onde o aluno realiza construções sobre o que aprende, e aprende realizando construções. Num movimento contínuo entre o fazer e o refletir, entre a vivência e a estruturação formal deste vivido, a aprendizagem vai se impregnando de significado, de ligação com a vida.

Quanto à avaliação formativa, esta implica em mudanças conceituais e redefinição de conteúdos e funções docentes, entre outras. Assim, o que se propõe é uma reestruturação interna na escola quanto à sua forma de avaliação. Necessita-se, sobretudo, de uma avaliação contínua, formativa,  na perspectiva do desenvolvimento integral do aluno. O importante é estabelecer um diagnóstico para cada aluno e identificar  suas potencialidades e possibilidades, visando uma maior qualificação e não somente uma quantificação da aprendizagem.

A avaliação formativa e continuada consiste em uma prática educativa contextualizada, flexível, interativa, presente ao longo do curso, de maneira contínua e dialógica. A avaliação educativa, entendida como inserida em um projeto político pedagógico, postula a autonomia e a cooperação como princípios básicos da educação.

Se a avaliação contribuir para o desenvolvimento das capacidades dos alunos, pode-se dizer que ela se converte em uma ferramenta pedagógica, em um elemento que melhora a aprendizagem do aluno e a qualidade do ensino. Este é o sentido definitivo de um processo de  avaliação formativa, centrada nos processos de aprendizagem, em seus aspectos cognitivos, afetivos e relacionais e pautada em aprendizagens significativas e funcionais que se aplicam em diversos contextos e se atualizam o quanto for preciso para que se continue a aprender. Este enfoque tem um princípio fundamental: deve-se avaliar o que se ensina, encadeando a avaliação no mesmo processo de ensino-aprendizagem.

A parceria entre pais, professores e profissionais especialistas é indispensável quando se pratica uma educação para todos, comprometida efetivamente com o processo de aprendizagem. O ensino para ser mais eficiente e significativo, dever ser o mais integrado possível. Essa integração precisa ocorrer, principalmente, quando falamos em alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem.

Pais geralmente têm dificuldade em saber a que tipo de profissional recorrer e professores muitas vezes não sabem a que tipo de instituição escolar encaminhar. Sendo assim, o profissionais (psicólogos, psicopedagogos, pedagogos, fonoaudiólogos, neurologistas, etc.) são os primeiros a serem procurados pelos pais ou pelos professores quando os alunos começam a apresentar dificuldades no processo de aprendizagem.

Pais precisam estar informados sobre as diferenças existentes entre seus filhos e levar em conta suas diferentes características e habilidades. Não dá pra criar um padrão de aluno ou filho ideal. Cada pessoa tem sua forma ou modo de aprender e essas resistências precisam ser quebradas e as diferenças valorizadas.

Professores precisam estar atentos às necessidades de seus alunos e encaminhá-los para um trabalho mais específico, no qual através de outros métodos pedagógicos, com possibilidades de uma maior flexibilização nos tempos de aprendizagem, este aluno, possa ter maior sucesso no seu rendimento e desenvolvimento escolar.

Além do diagnóstico ou do tratamento efetuado com os profissionais em busca de soluções para os alunos com problemas de aprendizagem, a parceria que estes estabelecem com a escola, com os métodos que ela pratica e com as intervenções e diálogos que estes se propõem a manter, contribuirão para que estes indivíduos superem suas dificuldades e fortaleçam suas capacidades e potencialidades.

 

O Projeto como componente curricular

Maria Cristina Ribeiro
Rita de Cássia Rizzo
(Gestoras da Escola NANE)

A Pedagogia dos Projetos visa à re-significação do
espaço escolar, transformando-o em um espaço vivo
de interações aberto ao real e às suas múltiplas
dimensões. O trabalho com projetos traz uma nova
perspectiva para entendermos o processo
ensino/aprendizagem. Aprender deixa de ser um
simples ato de memorização e ensinar não significa
mais repassar conteúdos prontos.

Dewey 

Acreditamos que os projetos desenvolvidos em sala são a concretização de um trabalho que consideramos fundamental, na medida em que o aluno não vive um currículo que veicula conceituações fechadas, mas sim interligadas.

A visão do mundo e da vida no momento em que os currículos são integrados é uma visão global, uma visão do todo, onde cada parte passa a ter significado quando aditada a um grande conjunto. Esse trabalho fundamenta-se na percepção multidisciplinar do conhecimento e é amplamente praticado nos momentos destinados ao trabalho aqui denominado de Roda.

Roda Mundo... Roda Gigante...

Um dos objetivos das aulas de Roda é permitir aos alunos a discussão organizada de temas atuais que dizem respeito a eles, de forma mais imediata ou mesmo mais distante. Assim, artigos de jornais e revistas podem ser trazidos para a sala de aula e organizam-se debates em que os alunos analisam o fato apresentado e sua conseqüências, além de estarem atentos ao veículo que os informa a respeito, seus interesses e a forma escolhida para veicular a informação.

Estas discussões permitem, também, a colocação de convicções pessoais ou coletivas e denunciam a existência e a diversidade de padrões éticos, estéticos e técnicos utilizados para estas análises.

Os projetos de Roda são assim enriquecidos por todos os outros elementos trabalhados, entre eles, as informações obtidas nos grandes veículos de comunicação de massa. A partir do levantamento de temas de interesse do grupo em questão, os alunos e seus professores envolvem-se no encantador trabalho de formular perguntas e hipóteses e verificá-las ou substituí-las no confronto com o conhecimento humano historicamente acumulado.

Roda Moinho... Roda Peão...

Mais do que aprender, acreditamos que é fundamental que os alunos possam ter consciência do que aprendem e de que forma o fazem. Conseqüentemente, avaliação é o outro tema da Roda. Através de dinâmicas e atividades especificas, os alunos são convidados a planejar suas ações, verificar suas competências e suas faltas, estabelecer parcerias com base nessa verificação e negociar com o grupo suas possibilidades de participação no projeto coletivo. Assim, o aluno tem condições de escolher sua forma preferencial de atuação no mundo e nos espaços sociais, sejam eles escolares ou não.

O tempo rodou num instante ... Nas voltas do meu coração ...

Conteúdos, experiências, idéias, fazeres. A Roda reafirma o professor como referente afetivo para cada um dos grupos, tal como a maioria das escolas costuma fazer nos primeiros anos de escolarização. Esta permanência permite o estabelecimento de vínculos de confiança, através dos quais podem ser discutidos assuntos que preocupam tanto alunos como educadores, sejam eles pais ou professores,  tais como as questões relativas à sexualidade, uso e abuso de drogas, conflitos entre os alunos ou entre eles e professores ou outros funcionários da escola, a constituição de uma identidade positiva de estudante e o prazer de realizar e compartilhar projetos.

Faz tempo que a gente cultiva a mais linda roseira que há...

Valorizar as diferenças individuais e as possibilidades de cada aluno, de modo que estas se sobreponham às dificuldades, ao mesmo tempo em que estimulamos o aprendizado no coletivo da sala de aula, tem sido o nosso maior compromisso.

As interações sociais que se desenvolvem neste espaço formativo ajudam crianças e adolescentes a compreenderem-se a si mesmo e aos seus outros sociais, enquanto sujeitos sociais e históricos, produtores de cultura criando oportunidades para a construção da base inicial para a vivência efetiva de sua cidadania.

Por isso, nestes 37 anos de experiência, um olhar individualizado para cada aluno nos possibilitou a consolidação de um trabalho pedagógico consistente, com resultados extremamente positivos. Assim,  oferecemos aos nossos alunos atividades pedagógicas diferenciadas tanto nas aulas, como nas rodas e  oficinas.

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